Arquivo da categoria ‘digo que:’

Gentil x politicamente correto

O que temos feito, quase sem exceção, é elevar o volume do discurso “politicamente correto”, enquanto o elemento gentil das falas é relegado ao silêncio. Sufocam-se as relações interpessoais, supondo-se que se esteja erigindo melhores relações sociais.

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Prenúncio do fim

Não sei qual dos mundos está mais próximo do fim: o sertaneja ou o universitário. Mas sei que a junção esquisita dos dois me faz pensar que também o mundo da música passa por uma doença que pode vir a ser terminal.

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Lições

A crise do socialismo nos ensinou que não existe anjo humano. A atual crise do capitalismo está nos revelando não existir cavalo alado, nem touro voador. Teremos, agora, que recorrer às asas da imaginação para reorganizar as nossas possibilidades de convivência pacífica e solidária.

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Desasossego

Quando jovens, não sabemos bem quem somos; e o que viremos a ser é apenas um rascunho. E isso nos desasossega. Quando velhos, não sabemos bem porque nos tornamos o que somos; e o que viremos a ser é um desenho claro e aterrador. E isso nos desasossega. Enquanto vivos, o desasossego é nosso companheiro. [...]

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Babacas?

Pense bem: se não formos capazes de fazer um mundo melhor, partindo das inéditas e fantásticas condições acumuladas pela Humanidade até aqui, é porque somos irremediáveis babacas, mesmo.

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Cachorro e cavalo; galinha e vaca.

Num dia da semana passada, eu trafegava na Washinton Luís e, à altura de São Carlos, um cara de moto entrou repentinamente na pista, saindo de uma rua adjacente, devagar. Ao lado dele, um cachorro, acompanhando-o na mesma velocidade, refestelado, rabo bobocamente abanando de alegria. Quando o cara acelerou a moto, para entrar no ritmo [...]

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Aquários

O velho, bom e quase-esquerdista (para os padrões de hoje), J. M. Keynes demonstrou que a especulação financeira é funcional para o capitalismo: não fosse ela, a divergência entre os interesses altistas (touros, que vislumbram ganhos) e baixistas (ursos, que vislumbram perdas) não se resolveria, criando pessimismos exagerados ou otimismos descontrolados, incompatíveis com a formação [...]

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Revolucionários e funcionários

A derrocada da transformação social tem início na travessia da ponte que converte os revolucionários em funcionários. Sem a travessia, o novo fica de um lado e o velho, hegemônico, de outro, sob ataque insuficiente do novo. Com a travessia, o velho dilui o novo em meio às decisões e encaminhamentos que o poder exige. [...]

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Conjuntura política

Gramsci tinha razão: sem uma proposta de contra-hegemonia, urdida nos meandos da cultura, por mais nobre e audaciosa que seja uma tentativa de mudança, ela fracassará, chegando, no máximo, a um arremedo de transformação. A questão, nesta conjuntura é: como retomar os fios da meada da contra-hegemonia imaginada por um partido de massas que, promissor [...]

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Há dias (e noites) que eu não sei (ou sei?) o que acontece: eu abro algum livro e apago o sol (ou a lua); misturo não sei o quê com qualquer coisa, e acabo sem saber o resultado. Às vezes tenho o que dizer, mas falta vontade. Às vezes tenho vontade, mas foge o tema. [...]

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