A leitura, uma notável atividade neurológica

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Leitura e miséria humana

Acreditar na leitura como meio para transcender a miséria humana é um anacronismo de que padeço e sempre padecerei.

Grandes romances e filosofia

“Os grandes romances parecem nascer pontual e propositadamente para corrigir as idolatrias intentatas pela filosofia, para olhá-las com o olhar crítico e relativo do homem que já não se considera o centro do universo.” (Italo Calvino,Natureza e História do Romance, 1958)

Romance e conhecimento

“Que tipo de conhecimento esperamos obter com a leitura de romances – de histórias que nãos são ´verdadeiras´? Uma resposta clássica é: conhecimento sobre o coração humano, ou sobre a mente humana. O romancista tem um acesso íntimo aos pensamentos secretos de seus personagens que é negado ao historiador, ao biógrafo e até mesmo ao psicanalista. Assim, o romance é capaz de nos oferecer modelos mais ou menos convincentes de como e porque as pessoas agem da forma como agem.” (David Lodge, A arte da ficção, p. 189-90)

Livros bons

“Não importa quantos livros você tem, mas quão bons eles são.” (Sêneca)

Infinitude dos livros

“…os livros do mundo, todos juntos, são como dizem do universo, infinitos.” (José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, p. 290)

Ler ou reler?

Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos. (Nelson Rodrigues)

Leitura e encantamento

“Lemos coisas ínfimas em demasia, que nos deterioram o tempo e não nos trazem nada. Ler, sempre, apenas o que nos encanta, é disso que se trata.” (Goethe)

Natureza do livro

“…é da natureza de qualquer livro sair em defesa da narrativa e perpetuar a nossa espécie

(Nélida Piñon, Aprendiz de Homero, 2008)

Abrigo das aventuras humanas

“Estou convencida de que o filtro do amor e do prazer encontra-se também nas páginas do livro. E que as bibliotecas do mundo abrigam as aventuras humanas, as da carne e as do pensamento. Os livros e as palavras, inseparáveis, são os melhores inventos da raça humana. E sendo ambos, por excelência, produtos rebeldes, perambulam ao lado de quem sonha, de quem se senta nos bancos escolares, de quem ensina, de quem se aflige, de quem frui a invenção, de quem se encanta com as manifestações da inteligência humana.”

(Nélida Piñon, Aprendiz de Homero, 2008)